8.10.08



Melhor clip do ano? Não até os hindus o terem «condenado». Pop 1000 - Religiões 0.

7.10.08














«Tourfilm» R.E.M. Dir: Jim McKay/Michael Stipe 1990 (DVD)

Mesmo antes de exoplodirem no mainstream com «Out of Time», que incluía o famoso «Losing my Religion», os R.E.M. eram ainda uma banda de culto. Uma enorme banda de culto. Tour de «Green», Stipe em descalabro emocional - antes do out of closet - uma banda potente, intensa, jovem. Momentos como «Turn you in Inside Out» - dedicado à Exxon Corporation - tiram-nos a respiração. A realização, assinada por Jim McKay e o próprio Stipe, é notável, e se há forma de se ver, em DVD, um concerto de rock ao vivo, sem muitas perdas, não deve andar muito longe desta... *****

26.9.08



Já há muito tempo que não aparecia alguém assim. Jeffrey Lewis apresenta-se como um anti-folk singer. *****

15.9.08

Clap Clap Clap!

«O que realmente interessa: a música entretanto mudou e as categorias em que Madonna marrava deixaram de fazer sentido. O repertório dela é de meia-tigela, e a sua voz (soprano Full Lírica, mas alcançando escalas de contralto e mezzosoprano) soa como uma carroça a descer uma ladeira com os travões puxados. Dá-me sempre a sensação de que estou a ouvir um karaoke. Passo.»

Paulo Nogueira in revista Domingo, CM.

27.5.08












«O Ente Querido» Evelyn Waugh 1948 (livro)

Publicado pela colecção «Raposa Matreira», da Cotovia, «O Ente Querido» é uma pérola da Literatura, tão pós-pós-moderna face ao pântano das letras que invadiu o mercado nos últimos anos, que nos parece the next big thing! Waugh, conhecidérrimo por «Brideshead Revisited» ou «A Handful of Dust», oferece-nos neste livrinho (apenas porque pequeno) toda a riqueza da sua ironia europeia face ao Novo Mundo no pós -guerra. Delicioso ao falar sobre cadáveres, quer humanos quer de animais, belíssimas descrições de cemitérios chiques West Coast, um mundo dentro de uma Indústria em crescimento - o cinema - onde pontificavam como guionistas de excelência alguns Sirs do Velho Mundo, a caírem em desgraça face à quebra de qualidade da 7ª arte, dobrada ao materialismo em ascensão. Para ler com chá, scones, gin tónico ou mesmo um gracioso cálice de Porto. *****

11.5.08














«Home Before Dark» Neil Diamond 2008 (Cd)

Monumental! Se a tentativa de agregar Rick Rubin a Neil Diamond, bem ao jeito dos últimos discos de redenção de Johhny Cash, tinha ficado a meio caminho em «12 Songs», em «Home Before Dark» a voz de Diamond volta a brilhar por entre constelações, épica mas madura e resignada. É, sim, mais um disco de redenção, mais um belo disco de redenção, no drums, just redemption. Ao lado de Natalie Maines, das Dixie Chicks, em «Another Day (That Time Forgot)», em «One More Bite of the Apple», nos cruciais «If I Don't See You Again» e «Pretty Amazing Grace», e, na realidade, em todas as faixas do disco, Diamond voa ao entardecer por cima das nossas cabeças. Estranha gaivota com alma. *****














«Demo» The Guys from the Caravan 2007 (mp3)

E.P. de estréia, embora denominado demo, de um interessante novo duo da música portuguesa. Embora já com temas novos no seu MySpace, e a preparar um álbum, os temas desta demo apontam na tradição da escrita de canções para um certo ambiente, o que por vezes tanta falta por cá faz, ao se ligar mais a perícias técnicas e truques estéticos desgarrados. Os The Guys from the Caravan criam o seu próprio filme, distribuindo os papéis segundo um guião bem vivido. Lê aqui o brilhante texto de Hugo Torres para o E.P.. A seguir, com muito interesse. ****

9.5.08









«I'm Not There»
Todd Haynes 2007 (filme)

Recente objecto de controvérsia entre apreciação por fãs e não fãs (quer de Haynes, quer de Dylan), «I'm Not There» é não só a melhor obra de Haynes atá à data - superando em muito «Velvet Goldmine» - como um dos melhores debruçares de sempre sobre a carreira de alguém. A Dylan o que é de Dylan, e as fábulas escritas por Haynes sobre a vida e escrita de Dylan são parábolas riquíssimas sobre aquilo com que muitos de nós «lutam» no seu dia-a-dia. Quem conhecer os espaços da carreira e vida de Dylan vai apreciar cada momento, quem não conhecer recebe um óptimo convite ilustrado para a descoberta. Nesta ficção-documental de original recorte na história do cinema, construída sobre flashbacks de flashbacks, há sempre um fio condutor recheado de elementos que nos prendem a atenção, em puro deleite cinematográfico. Excelente a cenografia, a fotografia, o guarda-roupa, os actores - Cate Blanchet é magnífica na sua metamorfose, Charlotte Gainsbourg é absorvente na sua intensidade, Heath Ledger é... grande! Para quem gosta de pensar, antes, durante e depois do filme. A ver e rever em momentos de necessidade de poesia audiovisualirico-existencial.*****





















«Amazing Journey: The Story of The Who»
Paul Crowder/Murray Lerner 2007 (DVD)

Documentário dividido em 6 lados de vinil mais um DVD extra - e que extras, entre outros a primeira actuação filmada do grupo no Railway Hotel, para um documentário Mod, bem guardada até agora nos cofres de Roger Daltrey! - «Amazing Journey» é na verdade a mais honesta viagem que um grupo pode fazer à sua longa existência, minada por breves separações e mortes inusitadas. A simplicidade e verdade que Daltrey e Townshend põem nas suas intervenções, tão raras neste mundo pop, dão os tópicos necessários para a compreensão daquilo que muitas vezes interpretamos e não atingimos. Não há aqui a agilidade irónica de Bono nem a insuficiência de Madonna, ou mesmo a eterna displiscência dos glimmer twins. Há aqui verdade, amor e raiva. Quatro solistas (como Noel Gallagher os descreve) que foram provavelmente a maior banda de rock de todos os tempos, e que ainda mexem, dois em espírito! Imprescindível porque comove, entusiasma, e acende a chama que nos presenteia. We are The Who!*****

1.4.08

U23D Vs. Rattle & Hum
















«U23D» Catherine Owens 2008 (filme) «Rattle and Hum» Phil Joanou 1988 (filme)


Se bem que o mais recente seja «apenas» um concerto dos U2 na Argentina e o mais antigo um documentário sobre os U2 na América, há algo que os pode relacionar: o modo como o todo do grupo é apresentado ao público, no grande ecrán, e em épocas distintas. Aquando da saída do documentário «Rattle and Hum», estreado no antigo cinema Condes - hoje Hard Rock café, em Lisboa - o fãs acorreram em massa levando t-shirts e bandeiras que empunhavam cantando, a espaços. A crítica começava a torcer o nariz ao sonho americano de Bono e Cia. e era politicamente incorrecto gostar da banda - só os recuperariam depois da fase Berlinesca de «Achtung Baby». No ecrán, os U2 eram filmados maioritariamente a preto e branco na América dos irlandeses, em momentos gospel de igreja onde se ensaiava «I still haven't found...», em Graceland, nos Sun studios a gravar «Angel of Harlem», em explosões de raiva em palco - «Bullet the Blue Sky» e «Silver and Gold» - e em duetos lendários com B.B.King e concertos em terraços de fazer parar o trânsito. Ainda hoje, se calhar até muito mais hoje, «Rattle and Hum» é um documento intemporal, vibrante e desafiador, que começa com a apropriação do «Helter Skelter» de Beatles e Manson, e deambula pela redescoberta da música tradicional como caminho a seguir (nada que Dylan não tivesse já feito) mas também pelo humor dos U2. Em «U23D» a única réstea de humor é um beijo na boca de Bono a Adam, que falha por se querer levar a sério... Ainda hoje vemos «R&H» com um sorriso constante, enquanto «U23D» leva ao bocejo. Vemos em 3 dimensões um espectáculo morno, que aborrece devido à pouco diversificada realização e montagem, que parecem esgotar todas as novidades da tecnologia 3D em 3 canções. Vemos em 3 dimensões um Bono de voz cansada, uma banda com bom som mas pouca garra. Não vemos a dimensão da atitude artística que junto com a vox política caracterizou as fases mais importantes da carreira do grupo. E não são a tecnologia e a novidade que vão colmatar essa insuficiência. Na realidade, o preto e branco de «Rattle and Hum» é muito mais sobredimensional e «colorido» do que o truque dos óculos 3D. O showbusiness tem destas coisas...
«U23D» *** «Rattle and Hum»*****

28.3.08


«Cease to Begin» Band of Horses 2007 (Vinil)

Além das barbas, de uma voz que por vezes remete para os The Shins, e um conceito de vida para além da Americana, este disco está cheio de canções. Pairantes, como «The General Specific»,  explosivas, como o introdutório «Is There a Ghost», circulares, como «No One's Gonna Love You», Beach Boyesques como «Lamb of the Lam (In the City)». Em suma, um disco feliz! ****

«Pistol Dreams» The Tallest Man on Earth 2007 (Cd)

Esta brilhante revelação é a prova provada de que a arte não depende da geografia: chega-nos da Escandinávia e é o primeiro disco à altura das gravações live de Dylan em NY, por alturas das actuações no Gaslight, nos inícios de 1960 e ainda antes de obter contrato de gravação. Se na primeira impressão apontamos logo essa colagem, é na sua derivação que este disco ganha força, na sua voz anasalada e strumming banjo de guitarra acústica, que se, obviamente, remetem para quem de direito, emancipam um sueco mais folk do que muitos autênticos locais. Uma das revelações do ano, a provar, mais uma vez, que os estilos musicais são globalizadamente de todos em qualquer parte e em qualquer época. Não é a «parte» que interessa, antes a arte. *****

«Brighter than Creation's Dark» Drive-By Truckers 2008 (2xVinil))
 
Ao 7º disco de originais, os Drive-By Truckers atingem o estado de graça. Numa combinação perfeita de letras e imaginário Americana, em 19 canções este disco vai mais longe do que qualquer outro da sua discografia prévia. Títulos como «Two daughters and a beautiful wife» e letras como «Daddy needs a drink to deal with all the beauty/ to deal with all the madness/ to keep from blowing up/Daddy needs a drink/ to calm down his badness/ to execute his gladness(...) Daddy needs a drink/ so Mum fix one quick» são imagens perfeitas para a banda sonora de uma geração pós 30 anos que enfrenta pela primeira vez um cenário familiar adulto e tenta lidar com ele, em vez de procurar na adolescência perdida os ups and downs do seu dia-a-dia. Temas como «The Righteus Path» devem fazer sorrir Bruce Springsteen, assim como «I'm Sorry Houston»  e «The Purgatory Line» devem captar, ao mesmo tempo, a atenção de Joni Mitchell e das Dixie Chicks! E isso é meritório demais para ser ignorado. *****

21.3.08


«Zeitgeist» Peter Joseph 2007 (DVD/online)

O espírito dos tempos: «The greatest story ever told», «All the world is a stage», «Don't mind the man behind the curtain». Estas são as 3 partes do polémico documentário, respectivamente dedicadas à religião, ao 9/11, e à Banca Mundial, mais especialmente à Banca privada Americana, conhecida como a Reserva Federal. O filme foi estreado mundialmente no dia 15 de Março, em mais de 70 países e visto por quase 100 mil pessoas. Foi estreado com base numa rede de contactos online onde muitas pessoas se propuseram, gratuitamente, a dar eco a este documentário assinado pelo anónimo Peter Joseph e a fazer passar a mensagem. O que distingue afinal «Zeitgeist» de outros filmes sobre teorias da conspiração? Para já, a exactidão dos factos, e depois uma certa abordagem «arty» e filosóficamente militante do conceito de documentário. Durante um dos visionamentos em Portugal, e devido à natureza sócio-religiosa do país, a 1ª parte, onde se afirma que Jesus Cristo nunca existiu, foi aquela que mais curiosidade despertou entre o público. Rendidos aos elementos da História, muitos crentes abandonaram a sala com dúvidas. E ter dúvidas é aceitar o conhecimento.*****

20.3.08

Palavras para Quê


«Pistol Dreams» The Tallest Man On Earth 2007 (Cd) *****
(texto proxs. dias)


«Brighter Than Creation's Dark» Drive-By Truckers 2008 (Cd) *****
(texto proxs. dias)



«3» Portishead 2008 (Cd) ***


«Accelerate» R.E.M. 2008 (Cd) ***

5.3.08

Z DAY 15 MARÇO




Outros locais de exibição em Portugal:

University of Minho
Campus Azurem, Guimaraes, Braga
TIME: 21:00

Zeitgeist - A Luz e a Sombra
Palmela, Setubal

Centro Multimeios de Espinho
Av. 24 nº800, Espinho, Aveiro
TIME: 14:00 & 19:00

Zeitgeist Exhibition at Mercado Negro
rua da amizade, 4 - 2º esq. Esgueira
3800-381 AVEIRO
PORTUGAL TIME: 22:00

Livraria Almedina Estádio
Coimbra
TIME: 15:15

23.2.08


«Coffee Helps» The Vicious Five 2008 (single)

Antecipando o muito aguardado «Sounds Like Trouble», com saída marcada para 10 de Março, o single «Coffee Helps», disponível no MySpace da banda, é uma agradável expectativa confirmada. Joaquim canta finalmente uma oitava abaixo, a estrutura de canção aperfeiçoou-se, o som apurou-se, e mesmo perigosamente perto do mainstream rock, os Vicious Five apresentam um dos hinos desta Estação e da próxima. Imparáveis. *****

20.2.08



«Sweetheart of the Rodeo» The Byrds 1968 (vinil)

Se nos anos 70 o termo Country-Rock era perfeitamente usual, no final dos anos 60 a Country e o Rock andavam em territórios diametralmente opostos. De um lado os rednecks que frequentavam o Grand Ole Opry, doutro os cabeludos pré-hippies. Mas as coisas estavam a mudar: Dylan tinha ido do Folk ao eléctrico e agora virava-se para o Country, gravando em Nashville com Johnny Cash, e os Byrds, à mão de Gram Parsons, tentavam semelhante «jogada». Claro que «Sweetheart...» tornar-se-ia no disco maldito do grupo, não entendido nem a jusante nem a montante. As próprias críticas da imprensa musical marginalizaram os Byrds, tão confundidos quanto os fãs hardcore da Country music. É por isso «perfeitamente normal» que hoje «Sweetheart...» se tenha tornado na peça de culto da carreira dos Byrds, porventura um dos seus discos mais interessantes, com Gram Parsons em estado de graça, gravando um dos seus melhores temas, «Hickory Wind», espalhando a conversão Country que terá estado nas origens da sigla Americana. No entanto, o disco marcaria também o desigual futuro dos Byrds, desagregando Parsons da banda e criando um hiato que levou também à saida de Chris Hilmann para os Flying Burrito Brothers, deixando Roger McGuinn como único timoneiro. Por isso tudo, *****, claro.

19.2.08


«Beloved - Mojo presents a treasury of classic indie rock» 2008 (Cd)

Vem colado na capa da Mojo de Março, e é uma colectânea organizada pela revista Mojo sobre os dourados anos indie. Estamos a falar da primeira metade dos anos 80, quando umas guitarras semi-tonadas, aliadas a uma frescura pop inquestionável, inventaram o termo «indie». Nessa génese estão grupos como os Felt, The Sound, The House of Love, Wah! Heat, The Orange Juice, The Gist, The Teardrop Explodes, entre outros. Ainda hoje estes sons soam mais frescos que nunca, e eram a verdadeira alternativa ao período neo-romântico, plástico e pós-moderno, a usar e abusar das novas tecnologias aliadas aos instrumentos musicais e ao novo equipamento de estúdio. Aqui, não. «Apenas» melodias imbatíveis da pop, leveza e intensidade na medida certa, em suma, o melhor que nos podem oferecer, nestes termos. Para quem conhece, indispensável, para quem não conhece, também. *****

14.2.08


«Urban Verbs» Urban Verbs 1980 (vinil)

Não fora o caso do cantor dos Urban Verbs, Roddy Frantz, mimetizar lirica e declamadamente um jovem David Byrne - ainda por mais sendo irmão do baterista dos Talking Heads! - e os Urban Verbs poderiam ter-se estreado como verdadeiramente originais. Mas, na História da pop, a régua evolucionista não perdoa e os Verbs sucumbiram ao segundo disco...
Mas apesar disso o seu disco de estréia é ainda hoje um clássico da era: urbano depressivo nas letras e na cadência ritmíca e harmónica, contém verdadeiras pérolas desde a faixa de abertura, o «clássico» «Subways»(Every morning I go under the city/Handful of change takes me away from it all/I leave my problems up on the street/And ride the subway where it's always warm) até à faixa que encerra o lado b, o incontornável «The Good Life»(That's the good life/It's L.A.). «Luca Basi», «Tina Grey» e «The Angry Young Men» revelavam uns Heads mais zangados e obsessivos que os originais, ainda que em busca de uma beleza redentora em «The Next Question»(I'm faced with the next question/Is this love or just a feeling/Sensations, infinite sensations/The next time should supply the answer/If this is love/I was born a survivor). *****

3.2.08


«In Rainbows» Radiohead 2008 (vinil)

Não se falou tanto da música em «In Rainbows» como se falou de todo o processo revolucionário da sua e-dição. Mas agora que a tempestade já passou, a música do último disco dos Radiohead vem ao de cima. E vem bem.
«In Rainbows» é para mim o melhor disco do grupo desde «Ok Computer», embora abra com 2 b-sides, que afastados logo ao princípio acabam, insolitamente, por não o desiquilibrar. A grande abertura é assim deixada a «Nude», um dos momentos altos do disco. Simplesmente belo e maravilhoso, o que nunca se podia ter afirmado de outro qualquer momento de «Hail to the Thief», «Amnesiac» ou «Kid A», os irmão feios de «In Rainbows», ou até do auto-miserabilismo - para o qual já não há pachorra nenhuma! - do solo de Thom. Porque é neste disco que os Radiohead conseguem o equilibrio entre o experimentalismo pop minimal e a beleza orquestrada por acidente consciente de uma mente a deixar-se ir com um belo groove de fundo. Começa em «Nude» e todas as canções - sim, canções! - que se lhe seguem são essenciais, não valendo a pena destacar nenhuma - usemo-las no tempo conforme as nossas disposições ou concentrações. «In Rainbows» não é apenas Bom, como por cá muitos dos críticos habituais o classificam, agora que perdem as regalias de uma primeira audição e deixam de ser os mensageiros. «In Rainbows» é muito bom, pequeno apenas devido às duas faixas iniciais que deveriam ter sido incineradas pela capa. *****

18.1.08



«Atonement»
Joe Wright 2007 (filme)

Haverá sempre lugar, no cinema contemporâneo, para uma história assim: algo que envolva romances impossíveis, injustiças fatais, uma casa idílica no campo, um drama enorme, e se possível com uma das guerras mundiais pelo meio - isto se for na Europa, na América é normalmente a guerra da Sucessão. Mas o modelo clássico funciona, e com a boa interpretação dos actores (os minutos finais de Vanessa Redgrave são brilhantes e decisivos para o bom desempenho do filme) e a notável fotografia de Seamus McGarvey, ficamos na presença disso mesmo, de um clássico. Intenso, tal como o best-seller de Ian McEwan, já com 2 Globos de Ouro no currículo (melhor filme/drama e melhor banda sonora), e os Óscares mesmo ali à esquina, por trás do plantão de greve dos guionistas norte-americanos.
Ficará para a História do cinema o plano one shot das tropas inglesas sitiadas na Costa francesa, onde a deambulação do protagonista e de dois companheiros nos leva a sentir o ambiente e o local de modo único e arrebatador. Um momento para ver, de preferência, em écran grande. *****

2.1.08



«Upon The Heath» Mr.Hudson & The Library 2007 (e-single)

Passaram discretamente por Glastonbury, em 2007, e são o segredo mais bem guardado da nova pop britânica. Quarto single extraído do disco de estréia, «Upon The Heath» - que o encerra - resume em poucos minutos o som de Mr. Hudson: composição clássica despida em beats, acompanhada ao baixo com nova poesia dandy. Têm carisma, têm personna, têm canções, e o que é que se pode pedir mais? Que se embarque na frase de desordem que acaba com o tema, «I suggest: No More Rock'n'Roll!»? Pelo menos que se esteja atento a esta nova espiral da pop, e que se a abraçe se dela não restar dúvida. *****