
«Beloved - Mojo presents a treasury of classic indie rock» 2008 (Cd)
SONS - IMAGENS - LETRAS








«Toothpaste Kisses» The Maccabees 2007 (video)
Um take, um video, um beijo multiplicado. Como uma boa idéia faz um bom video, sem orçamentos por aí além. Retirado do seu disco de estréia - um dos melhores do ano! - «Toothpaste Kisses» é uma calma banda sonora para a importância das imagens. Não há aqui nenhuma mensagem directa, tipo «vamos todos beijar-nos uns aos outros!», mas a beleza pairante de tal plano prolongado enleva-nos de modo singular e deixa-nos a alma mais leve. Algo a realçar: como este video é extremamente importante para a presença da canção nos media. Duvido que «Toothpaste Kisses» se considerasse um single comercial sem o acompanhamento destas imagens... ****

É talvez a melhor série de sempre de produção nacional, no campo da ficção. Porquê? Pelo modo fidedigno como a época é recriada e pelo bom gosto posto nessa recriação. Pelos actores, pelas histórias não-lamechas, pela análise não-básica dos tempos políticos que se viviam. Também pela parte técnica: fotografia, montagem, cenários, guarda roupa, caracterização...
A solução da voz-off adulta, da personagem então mais nova da família, resulta em pleno, enquadrando na perfeição o lado mais naive da série - o da descoberta de um país, das coisas do amor, do inocente questionar de uma realidade que pouco se estendia dos limites do bairro em que cada um vivia. E apesar de o conceito ser baseado na série espanhola «Cuéntame como passó», a realidade particular portuguesa dota a série de uma singulariedade que a afasta dos produtos televisivos empacotados que nos servem diariamente.
Afinal é possível: esqueçam-se os vários falhanços em séries de recriação histórica, esqueçam-se muitos dos programas que o canal público exibe regularmente... «Conta-me como foi» é um primeiro passo, a ser acarinhado e a ser continuado nos próximos projectos nacionais extra-novelas a verem a luz do ecrán. Além dos excelentes Rita Blanco, Catarina Avelar e Miguel Guilherme, de notar também a bela revelação que é Rita Brütt, a filha mais velha que é a primeira a romper o cerco Salazarista às famílias, auto-exilando-se em Londres durante umas mini-férias. *****

Sol de Inverno e um olhar para trás: um dos melhores singles pop de todos os tempos e como uma simples canção pode ser luminária, inspiradora e curadora. Infelizmente, os The Thrills, até ao 3º álbum, têm vindo a decrescer na qualidade da sua escrita e no brilho das suas canções. Mas, com «Big Sur», deixaram para sempre inscrita na História da Pop - ao lado de canções como, por exemplo, «There She Goes», dos La's - a sua visão West Coast do outro lado do Atlântico... Simplesmente genial.*****



Ainda Dylan. Neste caso «dito» por outros, para a banda sonora do aventuroso filme de Todd Haynes, «I'm Not There». Se são sempre desiquilibrados aqueles discos que alinham uma série de artistas e bandas para reinterpretar temas clássicos de grandes nomes da História da música popular, nalguns casos o brilhantismo de algumas versões alumiam as piores, e a luz parece constante...
É o caso de «I'm Not There»: do Bom com distinção para All Along the Watchtower/Eddie Vedder até ao Excelente para Knockin' On Heaven's Door/Antony & The Johnsons (aqui, até eu me rendi a um ódio de estimação...), muitas notas intermédias podem ser atribuídas às versões que este disco engloba. Há o deleite em Just Like a Woman/Charlotte Gainsbourg & Calexico, o puro e calmo prazer em Simple Twist Of Fate/Jeff «Wilco» Tweedy, a boa surpresa em Highway 61 Revisited /Karon O & the Million Dollar Bashers, o envolvente Stuck Inside Of Mobile With the Memphis Blues Again/Cat Power, o dever bem cumprido e esticado em One More Cup Of Coffee/Roger McGuinn & Calexico, enfim... Razões de sobra para viajar mais uma vez na diversificada carreira dos Dylans. De qual deles? De todos eles. Um só. ****





Um drama nas alturas, perto da loucura face à culpa de um passado que não se pode alterar, embora se alimente essa ilusão em desespero. Filmado nos Alpes, a história de um homem de quem a mulher fugiu, deixando-o com uma filha de 5 anos. 13 anos depois, a difícil relação de um pai com a filha a entrar na idade adulta, e o doloroso convívio com uma vida que ficou muito aquém daquela com que se sonhou. O que acontece à grande maioria da população humana, só que felizmente também a grande maioria aprende a lidar com isso de melhor forma... ***






